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Altas históricas do mercado do ouro


Porque investir em ouro?

Desde a antiguidade, o ouro tinha um valor simbólico muito ligado às suas características físicas, como o brilho e a cor. Com isto, rapidamente ele se tornou uma medida de valor muito generalizada, aparecendo em diversos povos, inclusive entre seus mitos e religiões. Prova disto é o mito do ganancioso rei Midas, então rei da Frígia. Certo dia, o deus do vinho Baco lhe agraciou com um desejo, Midas escolheu o dom de transmutar tudo o que tocava em ouro. Mas o que rei não tinha percebido era que o seu desejo na verdade era uma maldição, já que não poderia mais se alimentar, uma vez que tudo que seus lábios tocavam era transformado em ouro. Esse mito é interessante, mesmo que Midas conseguisse se alimentar normalmente, seu desejo continuaria sendo uma maldição, pois quanto mais ouro ele conseguisse, menos valor o ouro teria, já que uma das formas de se mensurar o valor de alguma coisa é através de sua escassez.. Por este motivo o ouro seguiu muitos séculos como um metal de alto valor, pois suas principais reservas estavam no novo mundo (América e sul da África).

Hoje o ouro possui uma grande gama de aplicações comerciais, como revestimento de joias, produção de micro circuitos e até mesmo na culinária.

Entretanto, o ouro ainda apresenta uma grande importância no mundo financeiro, sendo considerado produto bastante estável. Neste ano, devido à crise causada pelo Covid-19, muitas pessoas migraram suas reservas para o ouro, como uma forma de reserva de valor “universal” em que é possível diminuir os riscos provenientes de exposições à variáveis governamentais, ativos com alta volatilidade, entre outros, assim, causando um salto gigantesco na demanda e, consequentemente, provocando uma máxima histórica no preço deste ativo, sendo possível observar melhor no decorrer deste artigo através dos gráficos disponibilizados. Vale comentar que, por ser negociado em diversas moedas, o preço do ouro pode variar também em função da desvalorização da moeda. Para uma análise mais precisa, utilizamos a paridade XAU/USD, que é o valor do ouro em dólares americanos, principal moeda no mercado internacional.


Como Investir em ouro?


Existem diversas formas de se investir em ouro, Uma delas e muito conhecida é a compra física do ouro, que nada mais é, a compra através de corretoras (Ourominas, Banco do Brasil, entre outros) autorizadas pelo Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários, caracterizando-se pela venda de barras de ouro lacradas. Além disso, caso o comprador não tenha um lugar adequado em sua residência para guardar esse ouro, o mesmo pode deixar sobre a custódia de um banco que cobrará uma taxa.

Outra possível forma de investimento em ouro é através da compra de contratos na bolsa de valores, B3, em que é possível negociar contratos a termo, futuro, entre outros. Ademais, estabelece como outra maneira, o aporte em fundos de investimentos que trabalham com esse ativo, no caso, ouro. Por fim, o investidor deverá levar em conta os custos da opção escolhida antes do aporte, isso pode incluir fatores como corretagem e o imposto de renda.


Gráfico XAU/USD de 1970 até 2020

Esse gráfico apresenta o valor histórico da paridade XAU/USD, que é o valor de uma onça fluida de ouro em dólares americanos, desde a década de 70. Podemos perceber 3 momentos que se destacam no gráfico: o primeiro pico, uma alta localizada no canto esquerdo durante o início da década de 80; o segundo inicia-se em 2006 e tem seu apogeu em 2008; o terceiro pico, é o que está ocorrendo atualmente.

A primeira alta ocorreu devido ao conjunto de fatores que abalaram a economia estadunidense. Entre estes fatores, destacam-se o segundo choque do petróleo, que afetou toda a indústria automobilística dos EUA; outro grande fator é que durante as décadas de 60 e 70, diversas ditaduras latino americanas receberam grandes empréstimos do governo estadunidense. Entretanto, a maioria destes países entraram em processos hiperinflacionários e declararam moratória destas dívidas, o que afetou ainda mais a estabilidade econômica da década de 80. E por último, podemos listar o crescimento de concorrentes aos produtos norte-americanos, como os tigres asiáticos e a Europa ocidental, que já se erguia da segunda grande guerra. Após esta instabilidade, percebemos que a paridade XAU/USD abaixou, mas não retomou níveis iguais aos anteriores à crise, ela estabeleceu um novo patamar de preços, mais alto que o anterior.

O segundo pico, de 2006 até 2010, se inicia devido à bolha crediária que ocorreu nos EUA, onde diversas pessoas conseguiram créditos superiores ao compatível com suas respectivas rendas, o que gerou uma bolha de preços em diversos tipos de investimentos, entre eles o ouro. Quando a bolha estourou, que muitas pessoas se endividaram e diversos bancos começaram a lidar com uma grande inadimplência, muitas pessoas e organizações começaram a recorrer ao ouro como um fundo de segurança, o que aumentou ainda mais a paridade XAU/USD. Outro aspecto relevante a se destacar é que com o aumento dos créditos concedidos, o dólar sofreu por um processo de desvalorização, sendo esse um dos fatores que contribuiu para o crescimento dos preços do ouro, pois são inversos, ou seja, quando o valor do dólar cai, o ouro aumenta. Novamente percebemos que o preço desceu a um novo patamar, acima do patamar anterior que havia se formado. Por este padrão, a ideia de que após a pandemia o ouro atingirá um novo padrão de preços, mais alto que o anterior, ganha força.



Gráfico XAU/USD no ano de 2020


Esse segundo gráfico apresenta um recorte mais detalhado da paridade XAU/USD durante o ano de 2020. Como podemos ver no gráfico, o preço sofreu uma grande queda próximo da segunda quinzena de março, que coincide com a chegada da COVID-19 nas Américas. Essa queda, teve como fator importante o movimento do mercado para com a corrida por reserva em dinheiro, sendo que, foi utilizado também como uma forma de cobrir o rombo de carteiras alavancadas, fazendo com que ocorresse a venda dos ativos mais seguros. No entanto, percebe-se que ocorreu a sua rápida retomada, pois o ouro é colocado como um ativo com baixo risco (seguro contra eventuais crises).

Entretanto, podemos perceber que julho o preço iniciou uma lenta tendência de alta, efeito, principalmente, das ações públicas do governo, indo contra indicação de cientistas e órgãos de saúde, gerando incertezas entre os consumidores que, evitando consumir, procurando fundos para manter seu patrimônio protegido, como o ouro. Um fato que já foi citado e é válido comentar é que, mesmo após a pandemia e mesmo após a total recuperação das economias internacionais, o ouro não tende a voltar ao seu patamar anterior de preços e sim buscar um nível mais alto de estabilidade.


Tenho algumas dúvidas, o que fazer?

Por ser uma breve explicação é comum que possam surgir dúvidas, ou até mesmo a curiosidade de aprofundar-se mais nesse tema, assim, ficamos a disposição para ajudá-los.

Envie suas dúvidas no e-mail: ligalq.usp@gmail.com.

Vamos conversar!



- Endre Kurotusch e Renan Segantini

04/09/2020

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