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Commodities: importância e impactos do investimento no Brasil

A retomada da economia global, principalmente puxada pelo crescimento na China e nos Estados Unidos, provocou um choque na demanda por produtos primários, causando intensa alta nos últimos meses. Por conta disso, muito se fala em um novo ciclo das commodities, podendo beneficiar países produtores desses bens, como o Brasil.


O seguinte artigo busca apresentar o que são commodities, quais são seus tipos, qual a importância para a economia brasileira, vantagens, desvantagens e como investir neste mercado.


O que são commodities?


O termo commodities vem do inglês, significando “mercadorias”. Apesar de a origem da palavra referir-se a produtos de maneira diversa, atualmente é empregada para rotular os insumos “in natura” ou com muito baixo grau de transformação. Basicamente são as matérias primas brutas utilizadas na produção de outros bens no mercado mundial.


Uma característica interessante desses produtos é que não há evidente diferenciação, podendo ser comercializado por um único preço no mercado internacional. Isso significa que, por exemplo, o ouro extraído na China possui as mesmas características do ouro canadense, sendo comercializado a um mesmo preço determinado através da oferta e demanda mundial.


Por conta do preço ser definido por forças mercadológicas de oferta e demanda mundial, acontecimentos na economia de um país com produção excessiva de uma determinada commodity, como acidentes ou eventos políticos, podem afetar intensamente o seu preço. Da mesma forma, o contrário também é válido, uma queda do preço internacional da soja, por exemplo, pode afetar negativamente a economia do Brasil, por ser um país produtor.


Quais os tipos de commodities?


Existem diversas maneiras de classificar as commodities. Porém, a forma mais usual de categorizá-las é em: agrícola, mineral, ambiental e financeira.


Commodities agrícolas


Aqui são classificados os produtos e matérias primas do agronegócio. Como é de conhecimento geral, esse é um mercado muito relevante no Brasil. Alguns exemplos são: milho, soja, boi gordo, café, trigo, algodão, frango e açúcar.


Há também subgrupos entre as commodities agrícolas, como os grãos (soja, milho e trigo), proteínas (carnes, leite e seus derivados) e softs (açúcar, cacau, café, suco de laranja e algodão).


Commodities minerais


Refere-se aos recursos provenientes da extração e da produção de minerais e metais diversos. Também são utilizadas para se referir a produtos relacionados à oferta de energia. Alguns exemplos são: petróleo, ouro, minério de ferro e a prata.


Normalmente são subclassificados em metais de base, que servem de insumo para a indústria, e metais preciosos, muito utilizados na fabricação de joias e objetos de luxo.



Commodities ambientais


São commodities ambientais aquelas que provêm da natureza e estão relacionadas ao meio ambiente. São amplamente utilizadas na produção agrícola, industrial e energética. Alguns exemplos são: madeira, água, crédito de carbono e energia.


Commodities financeiras


São aqueles produtos financeiros básicos de uma economia, como moedas e títulos. São exemplos de commodities financeiras: euro, dólar, títulos do tesouro e o real.




Como investir?


A primeira questão importante a ser compreendida é que as commodities são negociadas no Mercado Futuro, sendo esse acessível através de uma corretora autorizada.


Este mercado busca proteger os produtores contra oscilações futuras em operações chamadas de “hedge”. Na prática, caso o produtor acordasse um contrato em um determinado preço, este seria o preço no dia da liquidação. Caso o preço do produto tenha caído, o produtor sai lucrando. Caso o preço tenha subido, o investidor é quem ganha.


Uma característica importante deste mercado é a possibilidade de operar alavancado. Ou seja, investir um capital maior do que o investidor tem disponível. Para tal, é necessária uma margem de garantia. Basicamente, um valor depositado, podendo ser em dinheiro ou em ações, CDBs e títulos, reforçando que o investidor pode arcar com um eventual prejuízo. Nesse caso apresentado, é necessário avaliar mais cuidadosamente, por incorrer os maiores riscos.


Vale ressaltar também que há a possibilidade de operar mini contratos, sendo estes partes ou frações dos contratos “cheios”, possibilitando a entrada de investidores com menos capital disponível, similar a um mercado fracionado.


Outra possibilidade de investir em commodities é comprar ações de empresas relacionadas ao setor. As principais empresas brasileiras de commodities por valor de mercado são: Vale, Petrobras, Suzano, JBS e Klabin. Além destas, a B3 oferece um amplo leque de opções de exportadoras nacionais e internacionais.


O mercado de commodities é mais recomendado para aqueles investidores com mais experiência. No entanto, segundo dados da B, está repleto de investidores pessoas físicas. No ano passado, 54% dos investidores em boi gordo e 67% dos investidores em milho eram pessoas físicas.


Além disso, após a profunda recessão causada pela pandemia, especialistas do mercado começaram a ventilar a hipótese de um novo superciclo de commodities em meio ao processo de retomada do crescimento global.


Nos últimos meses, o mercado global vem apresentando indícios de alta. Um destes sinais pode ser observado no desempenho do S&P 500 GSCI, o principal índice de commodities do mercado global, que vem subindo rapidamente desde novembro e já acumula alta de 64,85% em 12 meses.


O código dos produtos


Por fim, é importante saber o código do contrato que se está investindo. Nele está inserido qual o produto que está sendo negociado e também, o mês e ano de vencimento do contrato. Segue o seguinte padrão:



Depois deste código, vem o mês de vencimento.



Dessa forma, o código CCMV2021 refere-se ao contrato de milho, com vencimento em outubro de 2021.


Impactos no Brasil


O Brasil tem um histórico longo de exportação de commodities, como a cana-de-açúcar, café, ouro, algodão e milho, os quais são, em alguns casos, consumidos em escala mundial. Esses produtos, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), representam cerca de 65% das exportações brasileiras, liderando as exportações mundiais nos mercados de soja, café, açúcar, laranja e carne bovina.


Além disso, em um levantamento realizado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a agência da ONU que analisa economias consideradas dependentes de bens primários revelou que, no Brasil, as exportações de commodities respondem por 6,5% do PIB, se mostrando uma economia extremamente dependente desses produtos.


Em 2020, a receita total gerada por estes bens ultrapassou US$83 bilhões, de acordo com o Comex Stat do Ministério do Desenvolvimento.


Vantagens

  • Demanda garantida: por serem produtos consumidos no mundo inteiro e fundamentais, sempre haverá demanda por eles.

  • Possibilidade de alavancagem: no mercado futuro de commodities, você pode alavancar seus investimentos. Mas isto também significa estar exposto a riscos.

  • Diversificação: investir parte do patrimônio em commodities pode ser interessante como estratégia de diversificação, diluindo riscos.

  • Expor parte do patrimônio em dólar: ao adquirir contratos ou mini contratos do dólar, você está protegendo o seu dinheiro de possíveis baixas do real. O histórico político e nacional brasileiro demonstrou diversas vezes que o investidor sábio deve estar preparado para mudanças inesperadas no cenário.


Desvantagens

  • Grande oscilação de preço: o mercado é bastante volátil.

  • Instabilidade: as condições climáticas podem influenciar diretamente a qualidade e a produtividade das commodities, por exemplo, prejudicando as safras, bem como questões relacionadas à economia e política.

  • Alavancagem: como dito, pode ser vantajosa ou não.

  • Não é um ativo gerador de renda: por ser apenas um produto, o investimento em commodity só gera algum retorno se houver diferença entre o preço de compra e o de venda. Ou seja, de certa forma, operações com commodities não se tratam de um investimento em si, pois não existe fundamento ou valor intrínseco nesse ativo para que ele gere renda ao investidor.


Tenho algumas dúvidas, o que fazer?


Por ser uma breve explicação é comum que possam surgir dúvidas, ou até mesmo a curiosidade de aprofundar-se mais nesse tema, assim, ficamos a disposição para ajudá-los. Envie suas dúvidas no e-mail: ligalq.usp@gmail.com Vamos conversar!


Lucas Macário de Miranda Oliveira e Mayara Costa



06/07/2021






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