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Crescimento do Mercado Financeiro no Brasil

A bolsa de valores brasileira, mais conhecida como B3, tinha, em 2014, 594.950 pessoas físicas cadastradas em sua plataforma. Em abril de 2020, mesmo com a gigantesca crise do coronavírus, o número cresceu para 2,24 milhões segundo o Valor Investe, mostrando um crescimento de 276%. No texto abaixo, mostraremos como esse aumento influencia os aspectos da economia brasileira. Vale adiantar que esse crescimento deve ser interpretado com cuidado, mas é benéfico para as empresas listadas, para o cenário macroeconômico brasileiro e também para os novos CPF's cadastrados.


Em primeiro lugar, vale ressaltar os motivos desse crescimento. Nesse sentido, em termos gerais, podemos colocar em quatro tópicos que influenciaram esse aumento:


1) O acesso a informação com relação aos aspectos financeiros das empresas ficou mais transparente, com uma melhoria significativa do site de RI das empresas;

2) Uma maior cobertura dos meios de comunicação e redes sociais sobre o assunto, sendo extremamente relevante alguns específicos sobre o tema, como Youtubers e podcasts;

3) Aumento do número de corretoras, diminuindo o custo da aplicação para pessoas com baixo capital, aumentando assim, a atratividade da bolsa.

4) Redução da taxa de juros real do Brasil, tornando o investimento em poupança e renda fixa menos atrativo. (Link Adicional)


Quando olhamos sob a perspectiva das empresas, esse novo contexto também é favorável. Com um maior número de pessoas investindo na bolsa, o estímulo para novas empresas abrirem o capital aumenta. Além disso, as empresas já listadas na bolsa tendem a aumentar sua quantidade de ações fazendo uma nova oferta pública, facilitando o financiamento. Tal fato ajuda na expansão e transparência das empresas, uma vez que para estar dentro da B3, as empresas precisam cumprir uma série de requisitos da CVM, Comissão de Valores Mobiliários.


Na questão referente ao cenário macroeconômico, a ascensão do número de pessoas físicas na bolsa veio conjuntamente com um aumento da taxa de poupança interna da população, segundo o Valor Econômico. Esse fato contribui para a redução da taxa de juros e gera um estímulo ao investimento das empresas, aumentando o produto nacional. Além disso, com a redução da necessidade de financiamento por parte das empresas, os bancos nacionais de desenvolvimento como o BNDES, podem focar em realizar investimentos em infraestrutura, melhorando a dinâmica econômica do país.


No tocante as pessoas físicas, é importante citar que quando investido com estudo e cautela, os rendimentos na bolsa são maiores, estimulando uma maior independência financeira as pessoas. Além disso estimula a educação financeira da população, uma vez que para se manter com ações na bolsa é necessário um maior tempo de estudo do que quando o capital é guardado na poupança ou tesouro direto.


Entretanto, é importante notar que todos os pontos positivos devem ser analisados com cuidado. O mercado financeiro, como vimos esse ano, é extremamente volátil e com um alto risco quando se colocado em ações. A empolgação com rendimentos altos em um ano pode se transformar em pesadelo quando não aplicado com clareza e segurança. A educação financeira, nesse contexto, é de extrema relevância. Assim, além das ações, outras opções de investimento como fundos imobiliários e CDB's podem ser viáveis e mais seguras para investidores conservadores, diversificando o mercado financeiro nacional.


Por fim, vale ressaltar que a Liga de Mercado Financeiro ESALQ/USP foi criada em todo esse contexto de crescimento, estimulando o estudo e ensino sobre os aspectos do mercado financeiro. O Brasil ainda está longe do percentual da população que investe na bolsa do EUA, que chega a quase 90% da população economicamente ativa, mas nosso crescimento já demonstra aspectos positivos que podem ajudar o país a retomar o crescimento econômico.

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