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Diversificação dos investimentos na construção de uma carteira inteligente


Quando se trata de atividades de risco, existe a máxima: “nunca coloque os ovos em uma mesma cesta”. A possibilidade de existir uma quebra desses ovos é muito menor caso sejam distribuídos em diferentes depositórios, afinal estarão expostos a variáveis diferentes. No que tange os investimentos, isso não é nada diferente: a possibilidade de ganhos mais precisos aumenta de acordo com a sua exposição a diferentes ativos, já que seus comportamentos serão diferentes de acordo com suas variáveis econômicas específicas.

É claro, não estamos aqui citando aqueles “investidores” - ou chamamos de apostadores? - que atiram para todos os lados. A importância de uma boa análise de investimentos perpassa por uma boa análise dos riscos vinculados a determinado ativo, para que assim possa-se administrar a carteira de uma forma que os riscos se compensam caso alguns deles se concretizem. Diferente do ideário do senso comum, investimentos de sucesso de uma maneira geral não tratam-se de um tiroteio às cegas e sim um verdadeiro campo minado de projeções, onde cada agente projeta aquilo que acha mais condizente com uma determinada realidade futura possível. Uma das diferenças entre um bom gestor e um mau gestor é exatamente a capacidade de espalhar bombas certeiras para que, caso algumas delas estourem em seu pé, existam outras para compensar suas perdas.

Este artigo tratará sobre diversificação de carteira de investimentos. É importante salientar que não existem formas exatas de conduzir tal diversificação, afinal cabe analisar os objetivos da respectiva carteira, bem como as visões dos diferentes gestores envolvidos diante das condições de risco que os ativos estão relacionados. No entanto, conhecer as variáveis as quais os investimentos são influenciados é extremamente necessário para montar uma carteira diversificada e minimizar os riscos das exposições

Entre os principais aspectos a serem considerados na diversificação dos investimentos, estão: A escolha da Classe de Ativos que variam em riscos, rendimentos e também no conhecimento necessário para operá-los. Entre as classes de ativos mais comuns temos as ações, ETFS, Tesouro Direto, Fundos Imobiliários. A diversificação também pode ocorrer à nível cambial, considerando a negociação de moedas estrangeiras ou a partir de investimentos em empresas no exterior. Quando consideramos investir diretamente em empresas, uma primeira diferenciação que podemos fazer entre elas é a classificação delas como sendo uma “Small Caps” ou “Blue Chips” (bit.ly/2Edz7qt - artigo nosso sobre o assunto). Essas duas classificações apontam empresas com comportamento muito distintos: no caso das Small Caps, trata-se de empresas menos líquidas, que geralmente pagam menos dividendos mas que apresentam potencial maior de crescimento. Já as Blue Chips são aquelas empresas já consolidadas, que apresentam um bom histórico de resultados, geralmente pagam bons dividendos,e sofrem menos com as oscilações do mercado, apresentando uma maior segurança ao investidor (Quer saber mais sobre? Veja nosso artigo sobre small caps).

O mercado de ações é um dos investimentos com maior capacidade de diversificação. Nesse sentido, a B3 organiza seus ativos em onze setores e seus respectivos subsetores:

  1. Consumo Não Cíclico - composto por Agropecuária, Alimentos Processados, Bebidas, Comércio e Distribuição e Produtos de Uso Pessoal e Limpeza

  2. Utilidade Pública - composto por Água e Saneamento, Energia Elétrica e Gás

  3. Financeiro - composto por Exploração de Imóveis, Holdings Diversificadas, Intermédiarios Financeiros, Previdência e Seguros, Securitizadoras de Recebíveis e Serviços Financeiros Diversos

  4. Materiais Básicos - composto por Embalagens, Madeira e Papel,

  5. Saúde

  6. Tecnologia da Informação

  7. Comunicações

  8. Bens Industriais

  9. Petróleo, Gás e Combustíveis

  10. Consumo Cíclico

  11. Outros


Cada setor agrupa empresas, modelos de negócios, produtos e tipo de clientes que faz com que as empresas de um mesmo setor possam apresentar comportamentos muito semelhantes em um determinado período. É evidente também que existam alguns fatores macroeconômicos que gerem variação generalizada das empresas listadas na bolsa, porém é importante para os gestores estarem atentos aos detalhes econômicos que afetam determinados segmentos.


Setor de Consumo Não-Cíclico


O setor com maior contato direto com a população é o de consumo não-cíclico, contemplado pela agropecuária, alimentos, produtos de uso pessoal, bebidas e entre outros ramos de atuação, com a característica em comum de produção/venda de bens não duráveis. Inevitavelmente, é um dos segmentos em bolsa que menos oscila com as variações macroeconômicas, afinal é extremamente vital para a população consumir tais produtos não duráveis. Entretanto, podemos destacar um exemplo recente de uma alta considerável no preço da carne brasileira, ocasionado por um surto de doença nos porcos da China em março de 2019 - principal fonte protéica na dieta chinesa - que elevou a demanda dos chineses por carne bovina e de frango como também elevou seus preços locais. Naquela época, os produtores brasileiros de carne tiveram suas ações subindo consideravelmente, o que nos leva a seguinte constatação: apesar de ser um setor pouco volátil, pode apresentar variações bruscas também, tornando extremamente importante o acompanhamento e análise da economia mundial e local para proteger-se ou expor-se posicionado no setor de consumo não cíclico.


Setor de Utilidade pública


Assim como o setor de consumo não cíclico, é um dos setores mais defensivos da B3, isso porque engloba os segmentos de água, saneamento, energia elétrica e gás, serviços esses que são fundamentais à todos os cidadãos. Empresas como a CPFL, Engie, Taesa, Eletrobrás, Equatorial, Sanepar, Comgas fazem parte desse setor. Um ponto muito relevante, é que muitas empresas deste setor são estatais ou possuem alguma participação do Estado. De forma geral, são empresas já consolidadas que não apresentam grande potencial de crescimento mas que podem apresentar boa oportunidade para quem pensa em alocar parte da carteira focada no recebimento de dividendos.


Setor de Materiais Básicos


Correspondem aos mercados de embalagens, madeira, papel, mineração, químicos, siderurgia, metalurgia, entre outros. Podemos citar empresas como a Vale, a Unipar, Suzano, Klabin e Gerdau. Algumas dessas empresas são baseadas em commodities e portanto apresentam uma tendência distinta quando comparada a maioria das empresas da B3 - isso é o que chamamos de correlação negativa - significa que quando a maioria das ações brasileiras estão em queda, elas podem apresentar comportamento inverso de alta. Em geral, são empresas exportadoras e muito influenciadas pelo dólar - então também podemos dizer que apresentam correlação positiva com o dólar - quando este sobe, as ações das empresas deste também tendem a melhorar. Esse comportamento distinto da maioria, faz com que o setor possa ser uma oportunidade interessante de diversificação da carteira dependendo das estratégias de cada investidor.


Setor de Saúde


Este setor engloba empresas que trabalham com medicamentos, equipamentos médicos, serviços hospitalares e diagnósticos, como a Qualicorp, Hapvida, Notre Dame, Hypera, Odontoprev, Sul América, entre outras. Se trata de um serviço essencial à população e por isso está entre os setores mais estáveis da B3. Além disso, apresenta longo histórico de crescimento no Brasil e esse potencial só aumenta, especialmente à medida que a medicina vai evoluindo e que a população tem sua expectativa de vida aumentada. É um setor que se correlaciona com a taxa de desemprego e também com a renda da população, especialmente os mais idosos no caso do segmento dos planos de saúde. Também é muito influenciado por regulações externas e dialoga com o setor de saúde público.


Setor de Tecnologia da Informação


Entre as empresas, destaca-se a Sinquia, Totvs, Linx e Locaweb que trabalham nos segmentos de Computadores, Equipamentos, Programas e Serviços. É um setor com bastante campo para crescer, tem custos menores quando comparado à maioria dos outros setores e sofreu pouco por conta da pandemia devido ao modelo de negócio. No entanto, o preço dessas ações podem estar superestimados, especialmente porque no Brasil, de forma geral, se trata de empresas menores do tipo Small Caps e seu preço representa mais sua expectativa de crescimento do que seu valor real atual.


Setor de Comunicações


Com baixa concorrência e pouca especificidade de tendência para o setor de maneira generalizada, o setor de comunicações é um dos setores listados na B3 em que o olhar específico para as empresas determina melhor a análise do que uma tentativa de estabelecer tendência gerais. É claro que nos últimos anos a comunicação mundial tem se inovado cada vez mais, com a implantação de novos modos de rede de internet bem como a extinção de certo serviços prestados pelas companhias do setor de comunicações e isso certamente é a principal tendência em que o investidor deve focar na análise das empresas, mas a forma como cada uma reage diante destas novas transformações tecnológicas é vital para compreender a sustentabilidade do negócio da companhia. Principalmente pela baixíssima concorrência, os papéis deste setor tendem a não sofrem grandes volatilidades a partir do andamento econômico, apesar também de estarem expostos a comportamentos de fuga de capital como ocorrido durante a crise pandêmica da COVID-19 bem como a maioria das ações listadas na B3.


Setor de Bens industriais


Sendo um dos maiores setores da bolsa, engloba segmentos de máquinas, equipamentos, construções, transporte rodoviário, transporte aéreo, entre outros… As empresas como a Weg, Gol, Azul, Rumo, Ecorodovias, Embraer, se diferenciam bastante dentro desse setor então fica muito difícil observar alguma tendência que englobe todas de uma forma semelhante. O evento recente da pandemia do coronavírus nos mostra isso muito claramente: enquanto algumas empresas de máquinas e equipamentos mantiveram bons lucros, o valor das ações das empresas aéreas “derreteram” pois as pessoas simplesmente deram uma grande pausa em suas viagens. Esse fato ressalta a importância de planejar a carteira a níveis mais específicos, olhando para cada segmento e para cada empresa. Sendo,o setor, somente uma ideia inicial no momento de ponderar as direções dos investimentos.


Setor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis


O próprio nome já deixa claro os segmentos que o setor abrange: nele é considerado tudo que é relativo à equipamentos, serviços, exploração, refino e distribuição de Petróleo, Gás e Biocombustíveis. As empresas Petrobrás, Enauta e Petrorio são os grandes destaques do setor, sendo esta primeira muito maior e mais consolidada do que as duas outras. É um setor extremamente influenciado por decisões externas, pelos países que detêm as reservas, relações geopolíticas, tecnologias de extração, oferta e demanda.


Setor de Consumo Cíclico


Em oposição ao setor de consumo não cíclico, há também o setor de consumo cíclico, isto é, correspondente às empresas que produzem ou vendem produtos/serviços não relacionados estritamente com a sobrevivência da população, como hotéis e restaurantes, vestuário, automóveis, construção civil e entre outras operações. Evidentemente, é extremamente afetado pelo andamento da economia, afinal tem como operacionalidade produtos/serviços não essenciais para a população de uma maneira geral e, portanto, muitas vezes têm seu consumo cortado em momentos de instabilidade econômica. Diferente do setor não cíclico, é extremamente dependente do andamento da economia brasileira, afinal a maioria das empresas atendem a demanda nacional e detém custos majoritariamente em real, assim menos afetadas por variações internacionais pontuais. Um exemplo prático de como este setor sofreu é a pandemia que estamos vivendo no momento: a maioria esmagadora das empresas caracterizadas dentro deste setor apresentaram quedas extremamente acentuadas, afinal tiveram suas operações impedidas na maioria dos casos. No entanto, há poucas empresas que detém grande parte de sua operacionalidade contida no meio digital, inclusive alcançando máximas históricas no período pandêmico. É o caso da Magazine Luiza e Via Varejo, companhias com um forte comércio digital e que expandiram sua operação em um momento que o varejo on-line é um dos escapes da economia para continuar funcionando. Para este setor, o acompanhamento da economia nacional é extremamente vital para um bom posicionamento, inclusos índices de desemprego, renda nacional e também taxa de juros, afinal servem o território brasileiro em sua maioria e estão expostos a variáveis locais principalmente, e variações bruscas da macroeconomia brasileira afetam seriamente o resultado das empresas listadas no setor de consumo cíclico. Percebe-se como variáveis influenciadoras deste setor estão relacionadas principalmente ao poder de compra do brasileiro e seu comportamento econômico, assim sendo fácil de reconhecer a forte correlação positiva do setor de consumo cíclico com o setor financeiro.


Setor financeiro


O setor financeiro é composto principalmente por bancos, seguradoras e exploradores de imóveis, sendo um dos setores com maior participação no índice Ibovespa. Basicamente, é afetado pelos índices de inadimplência e de desemprego, afinal a maioria das empresas listadas nesta área de atuação funcionam como verdadeiras proporcionadoras de liquidez em mercados estagnados ou em crise. A taxa SELIC, definida pelo Copom, é também extremamente definidora para o setor, afinal representa a base para os eventuais lucros das empresas bem como para cálculos de provisões de inadimplência com olhares para o comportamento econômico futuro do país. Determinados setores já voltaram a níveis pré pandêmicos de preço, bem como alguns já até bateram máxima histórica ainda na pandemia, mas não é o caso do setor financeiro. Num período conturbado para a economia mundial, tais empresas sofrem com altas provisões para inadimplências - característica intrínseca aos momentos de crise, bem como têm seu spread reduzido pelas baixas taxas de juros em empréstimos oferecidos principalmente pelos bancos brasileiros. Podemos caracterizar o setor como um verdadeiro reconstrutor da economia, assim sofrendo em momentos em que a economia brasileira precisa de injeção de capital para não termos ainda mais desastres econômicos, bem como sofrendo com menores ganhos a partir destas injeções. Como já dito anteriormente e levando em consideração tal capacidade de atuar como um fortalecedor da economia, existe uma forte correlação positiva entre o crescimento do setor financeiro e o crescimento do setor de consumo cíclico, afinal muitas variáveis influenciam ambos os setores - como o índice de inadimplência, renda nacional e índice de desemprego.


Como comentado no início do texto, não é só o mercado de ações que também pode ser utilizado em diversos setores para diversificação de investimentos: é extremamente importante existirem proteções seguras para eventuais problemáticas com investimentos mais arriscados. Cada título de renda fixa tem seus fatores específicos, porém é importante estar atento principalmente a meta da taxa SELIC estipulada pelo Copom bem como a mesma taxa recalculada diariamente através das negociações diárias dos títulos, denominada de “overnight”. Existindo uma diferenciação de ambas, é uma oportunidade de ganhos a partir deste spread de títulos públicos. Já no que tange os títulos privados, como debêntures e certificado de recebíveis, é importante estar atento aos detalhes específicos: respectivamente, no primeiro caso é importante avaliar a situação da empresa creditada e seus projetos de investimento, bem como no segundo caso é importante verificar a tendência de tais recebíveis.

Para contribuir ainda mais com a diversificação de uma carteira, existem os ativos chamados de reserva de valor, sendo o mais conhecido de todos eles o ouro. A função deste ativo nada mais é que ser um refúgio dos investidores em momentos de instabilidade dos ativos mundiais, assim havendo uma fuga de capital para as reservas de valor. Evidentemente, neste período pandêmico o valor do ouro subiu consideravelmente, afinal as incertezas mundiais estavam alarmantes, sendo o ouro um ativo pouco controlado por entidades políticas, diferente das moedas e ativos nacionais, por exemplo. Outro exemplo de reserva de valor que vem sendo discutida fervorosamente nos últimos anos são as criptomoedas, afinal em sua maioria não dependem diretamente de fatores sociopolíticos para sua valoração e sim a sua própria oferta e demanda. É importante salientar que normalmente estes ativos seguem o caminho oposto da economia - enquanto as ações sobem, o ouro cai e vice e versa, assim podendo agir como um hedge contra eventuais problemáticas econômicas, isto é, ser uma proteção diante da volatilidade do mercado.

Outra classe de ativos que podem ser contempladas como mais uma forma de diversificação da carteira de um investidor são os fundos, como os fundos imobiliários e fundos multimercado. A principal vantagem desses ativos está a própria diversificação interna inerente aos fundos: a partir do momento que você adquire uma de suas cotas, está suscetível às variações de todos os ativos administrados pelos respectivos gestores, assim então diversificando sua carteira com menor necessidade de capital. No entanto, é importante analisar bem a perspectiva de investimento do determinado fundo, afinal depende muito da visão dos administradores e sua qualidade e responsabilidade com o capital de terceiros, bem como há a necessidade de existir um alinhamento do seu perfil de investidor com o perfil de risco do respectivo fundo. Há ainda a vantagem dos fundos imobiliários com sua distribuição mensal de dividendos a partir dos aluguéis dos imóveis, que são isentos de imposto de renda e podem ser atrativos para investidores interessados no acúmulo através da renda passiva.

É muito importante perceber que não há uma recomendação universal que servirá para todos os perfis de pessoa. Investidores mais jovens, talvez achem inteligente a ideia de alocar parte do seu patrimônio em Small Caps, pois têm o tempo a seu favor, algo fundamental para potencializar seus ganhos a longo prazo. Já um investidor mais velho, pode não ter o tempo à seu favor, mas possivelmente terá um capital acumulado que já seja suficiente para gerar alguma renda passiva de forma mais segura para garantir sua previdência, por exemplo. O reconhecimento de qual ciclo financeiro você se encontra é muito importante: caso esteja no começo da vida profissional e ainda não tenha uma boa quantidade de capital, é o momento de acumulação, caracterizado por rentabilidade razoável porém com ênfase no aumento de capital através dos aportes. Caso já exista uma constância nos aportes em um momento da vida onde você ainda não está interessado em aproveitar completamente seu patrimônio, é o momento de rentabilização - momento este que será o ápice de seus rendimentos. Já com menor fonte de renda por diminuição de trabalho ou até aposentadoria, é o momento de preservação de capital, onde a rentabilidade tende a ser por métodos menos arriscados para que você possa aproveitar seu patrimônio sem vê-lo derreter. Evidente que os momentos nem sempre são estritamente definidos, mas já é um bom norte para o reconhecimento de qual é o perfil de investimento ideal para seu momento de vida.

Ao investir em renda variável sempre estaremos expostos à riscos, mas como vimos, há setores mais defensivos e outros que apresentam maiores riscos mas que podem ser interessantes para potencializar os rendimentos, por isso, é importante saber o seu perfil de investidor ao planejar sua carteira, ter sempre uma reserva de emergência e estar ciente das correlações entre os ativos de sua carteira e dos riscos envolvidos em cada escolha.


Tenho algumas dúvidas, o que fazer?

Por ser uma breve explicação é comum que possam surgir dúvidas, ou até mesmo a curiosidade de aprofundar-se mais nesse tema, assim, ficamos a disposição para ajudá-los.

Envie suas dúvidas no e-mail: ligalq.usp@gmail.com.

Vamos conversar!



- Fabiana Bastos e Rafael Muniz

18/09/2020

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