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Eleições americanas e o mercado financeiro ao redor do mundo!


As eleições norte-americanas no final deste ano prometem agitar os mercados. Com o mundo ainda tentando se recuperar da crise do Coronavírus, a disputa entre Donald Trump e Joe Biden será importantíssima para entender como a maior economia do mundo se comportará nos próximos anos, influenciando empresas e mercados de todo o mundo. O Diretor de Investimentos do UBS, Mark Haefele afirma que a maioria das eleições nacionais não são eventos globais. “A eleição norte-americana é uma exceção”, disse. Assim, neste texto, tentaremos expor alguns impactos que podem acontecer, tanto no Brasil, como em outras regiões.

Diferentemente da eleição brasileira, as eleições norte-americanas são compostas por duas etapas: as eleições primárias, também conhecidas como prévias, e a eleição de Convenção Nacional. As eleições primárias são responsáveis pela seleção de representantes de cada partido, sendo eles os partidos Democrata e Republicano e seus representantes de 2020, Joe Biden e Donald Trump, respectivamente.

Durante as eleições prévias, realizadas de forma virtual devido à pandemia do COVID-19, os cidadãos participaram das votações visando evidenciar aos delegados seu candidato de preferência, para que, assim, no segundo momento, estes os representem ao longo do processo de votação indireta. Sendo realizada com base na porcentagem de voto em cada território do país, a Convenção Partidária depende do número de delegados que compõem cada Estado.

A eleição geral, por sua vez, também é executada de maneira indireta, na qual o cargo de presidência é disputado pelos dois candidatos escolhidos para representar cada um dos partidos. Os vencedores em cada estado e em Washington, D.C. ganham o número de votos que possuem no Colégio Eleitoral, sendo necessário somar 270 votos para vencer a eleição, os quais são determinados pela quantidade de representantes e senadores eleitos pelos Estados.

Neste ano, a eleição será realizada em 3 de novembro. As projeções mostram um cenário bastante disputado, no qual não existe muita vantagem para nenhum dos dois lados. Na terça-feira (29 de setembro), foi realizado um debate televisionado entre os dois candidatos, no qual a impressão geral foi negativa, visto que a discussão ressaltou muito mais ofensas pessoais do que propostas concretas para os problemas americanos. Para os investidores, a incerteza aumentou, estruturando quedas nos mercados globais.

Caso Joe Biden seja vencedor, a expectativa é de investimentos em alguns setores para estimular a economia. Entretanto, a agenda verde, impulsionada por sua vice, Kamala Harris, deve ser uma das prioridades da campanha, uma vez que deve ter como objetivo restabelecer os Estados Unidos em parceria com as organizações internacionais, das quais Trump teve diversos conflitos. Dessa forma, esse é um outro fator que pode pesar para o Brasil, visto que a imagem do país no exterior ainda está muito abalada por fatores de política ambiental, como as queimadas da Amazônia e do Pantanal.

Além disso, a adesão à chapa Democrata pela candidata à vice-presidência e afro-americana, Kamala Harris, acrescentou grande apoio a Joe Biden por parte da população que defende a discussão e os movimentos raciais. Em contrapartida, o atual presidente norte-americano e candidato à reeleição, teve perda de apoio popular após adotar uma postura contrária às manifestações antirracistas, anunciando a possibilidade de uso da força do exército para coibir tais protestos. Ademais, a conduta adotada pelo presidente quanto à pandemia não foi a esperada pela população, visto que negou a gravidade do Coronavírus e atrasou medidas de proteção e combate à doença.

Analisando mais especificamente para o Brasil, uma vitória de Joe Biden poderia ter um impacto negativo principalmente nas empresas exportadoras em geral, visto que uma reaproximação entre EUA e China pode fazer com que os chineses passem, novamente, a comprar commodities como soja e carne dos norte-americanos, reduzindo a exportação brasileira. Nesse contexto, empresas listadas na bolsa como JBS, Marfrig, SLC Agrícola, BRF e Minerva poderiam sofrer algum tipo de represália. Para piorar a situação, o atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não está tomando medidas para diminuir o clima de tensão com os chineses – apesar de todo o esforço da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para evitar problemas com o maior parceiro comercial do país.

Por outro lado, ao adotar uma política menos protecionista, Joe Biden poderia assumir um modelo de governo que permita a elaboração de medidas de globalização, possibilitando a saída de capital dos Estados Unidos para mercados emergentes, o que poderia criar uma circunstância favorável para o Brasil.

Já uma vitória de Trump tende a manter a atual econômica estadunidense, no qual mantém uma política de juros mais baixa em um prazo mais longo. O dólar, por sua vez, também tem a tendência de se manter em patamares elevados. Com isso, empresas exportadoras continuariam a ser beneficiadas, incluindo as gigantes do agronegócio.

Dessa forma, com todos esses fatores em jogo, a instabilidade dos mercados asiáticos e europeus também tendem a aumentar. À medida que a eleição americana se aproxima, o índice de volatilidade dos mercados (VIX), que mede o volume e a velocidade das negociações, aumenta gradativamente. No gráfico abaixo, é possível observar que sempre em anos de eleição, a incerteza e volatilidade tem picos de crescimento. Os anos notáveis são 2008, 2012 e a eleição deste ano, 2020.

Assim, dado que ambos candidatos têm certas pautas em comum, para um investidor mais conservador, é recomendado concentrar-se nesses setores que devem fazer razoavelmente bem em qualquer resultado eleitoral, como empresas e setores expostos a investimentos em infraestrutura e tecnologia. Além disso, nesse período de campanha, até o resultado final da eleição, é possível que moedas secundárias como o Euro ou a Libra Esterlina sejam valorizadas, visto que o clima de incertezas dentro dos EUA deve afastar alguns investidores.

Por fim, devido à grande influência norte-americana na economia mundial, precisamos ficar atentos aos desdobramentos das ações deste novo mandato que se inicia, bem como às consequências que refletem sobre a economia brasileira. Devido à incerteza quanto ao resultado das eleições e de qual será a política de negociação a ser adotada, investidores que têm ou não relação com o mercado dos Estados Unidos devem ficar atentos ao cenário dos próximos meses, uma vez que os critérios de negociação dos candidatos são distintos e suas decisões resultam em grande impacto no mercado financeiro mundial.


Tenho algumas dúvidas, o que fazer?

Por ser uma breve explicação é comum que possam surgir dúvidas, ou até mesmo a curiosidade de aprofundar-se mais nesse tema, assim, ficamos a disposição para ajudá-los.

Envie suas dúvidas no e-mail: ligalq.usp@gmail.com.


Vamos conversar!


Bárbara Ardiane Silva e João Pedro Borges

01/10/2020

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