Buscar

Fundo de Investimentos (Parte 1) - Definições, Participantes e Tipos

No presente tema vou abordar um pouco sobre o mundo dos fundos de investimentos em dois artigos diferentes. Neste ínterim, vou trazer os tópicos de uma forma menos aprofundada, portanto, apenas alguns aspectos sobre fundos de investimento vão ser abordados em ambos os textos, sendo que na primeira parte vou tratar sobre: o que são fundos de investimentos; os principais participantes que compõe o fundo e suas respectivas funções; e alguns tipos de fundos de investimento. Já no que tange a segunda parte, vou abordar sobre: as principais taxas e tributações que incidem no fundo; e as dinâmicas de aplicação, resgate e carência das cotas de um fundo.


Assim, a priori, é necessário trazer alguns aspectos iniciais sobre fundos de investimento. Neste sentido, o primeiro fator é que eles são muito importantes para todo tipo de investidor, seja ele pequeno ou grande, pois com aplicações de pequenos valores em um fundo de investimento é possível que o investidor tenha acesso a produtos de investimento que somente grandes investidores têm acesso, ou seja, individualmente esses pequenos investidores não teriam como investir nesses produtos de investimento. Além disso, os fundos de investimentos permitem a diversificação dos ativos financeiros, assim, mitigando os riscos.


O que são fundos de investimentos?

Costumo comparar os fundos de investimento a condomínios, pois, existe uma comunhão de recursos juntos que tem a finalidade de promover a aplicação coletiva dos recursos de seus participantes em ativos disponíveis no mercado financeiro através de um Gestor que é o responsável por essa função, sendo que em condomínios acontece a mesma coisa, ou seja, as pessoas se juntam para conseguir bens comuns, como por exemplo: piscina, área de lazer, salão de festas, parquinhos, etc.


Além disso, é importante destacar que cada participante tem uma “cota” do fundo de investimento (frações do patrimônio do fundo de investimento que são escriturais e nominativos), assim, são chamados de cotistas. Ainda neste contexto, o fundo de investimento deve ter seu próprio CNPJ e registro junto a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Por fim, é importante ressaltar que todo os cotistas têm os mesmos direitos e obrigações e que o valor da cota é resultante da divisão do total do patrimônio líquido do fundo pelo número de cotas existentes.



Quais são os principais participantes e suas respectivas funções dentro de um fundo de investimento?

Além dos cotistas que já foi explicado anteriormente que são os participantes que tem uma cota do fundo de investimento, se têm outras três partes que vou alocar abaixo, são elas:


Administrador do fundo que é responsável pela operacionalização do fundo, pela contratação dos serviços, por supervisionar tudo que tange o fundo e por registar o fundo na CVM.


Gestor que é o responsável pelas decisões de investimentos, ou seja, por alocar o patrimônio do fundo em ativos financeiros dentro do mercado, porém, é necessário que ele siga a política de investimento do fundo.


Administrador Fiduciário que é responsável pela disponibilização das informações periódicas que tem relação com o fundo. Além disso, ele é responsável por desenvolver toda a documentação que se refere as principais características do fundo e por elaborar a criação da Lâmina de Informações Essenciais (esta última é dispensável no caso de fundos para investidores qualificados).


Alguns tipos de fundos de investimento

Antes de adentrar mais especificamente nos tipos de fundos de investimentos, é necessário que eu aborde algumas divisões sobre fundos de investimento, são elas:


Fundo aberto são os fundos que permitem a entrada de novos ingressantes (cotistas) ou aumento da participação dos antigos por meio de novos investimentos, sendo que também é permitido a saída dos cotistas por meio dos resgates. Além disso, é importante ressaltar que esse fundo não tem uma data específica de vencimento, assim, não é necessário renovar a aplicação, ou seja, é permitido aplicar e sacar a qualquer momento.


Fundo fechado são os fundos em que a entrada e saída dos cotistas é permitida apenas em momento que são previamente determinados, ou seja, após o encerramento da captação de recursos pelo fundo, não é possível que entre novos cotistas e nem novos investimentos por aqueles que investiram no fundo quando ele estava captando recursos. Ainda neste contexto, percebe-se que não é permitido o resgate de cotas por decisão do cotista, porém, é possível que ele venda as suas cotas no mercado secundário (quando um investidor compra de outro investidor). Por fim, este tipo de fundo pode ter vencimento ou não, assim, como já mencionado, existem períodos determinados para o resgate de suas cotas.


Fundos com Gestão Passiva são fundos que investem em ativos com o intuito de replicar o índice de referência (benchmark), assim, tentando manter o desempenho do fundo próximo à variação deste índice.


Fundos com Gestão Ativa que são os fundos que buscam a obtenção de rentabilidade superior ao de determinado índice de referência.


Fundos de Crédito Privado que são os fundos com mais de 50% de seu patrimônio líquido sujeito ao risco de crédito privado.


Fundos de Investimento no Exterior são os fundos de renda fixa que os destinatários são os investidores profissionais (pessoa jurídica ou física que tenha investimentos financeiros valor superior a 10 milhões de reais) e alguns investidores qualificados (pessoa jurídica ou física que tenha investimentos financeiros valor superior a 1 milhão de reais), assim, estes fundos podem aplicar até 100% do seu patrimônio líquido em ativos que são negociados no exterior. Além disso, existe está modalidade com destino ao público-geral que pode investir até 20% do seu patrimônio líquido em ativos negociados no exterior.


Essas são algumas das principais divisões que é importante saber. Neste sentido, é possível trazer agora alguns tipos de fundos (ressalto aqui que este tópico vai incluir apenas alguns, o mundo dos fundos de investimentos é muito maior que estes que vão ser abordados a seguir), são eles:


FIC (Fundo de Investimento em Cotas) que é o fundo que compra cotas de um ou mais fundos, assim, ele deve ter no mínimo 95% do seu patrimônio investidos em cotas de outros fundos de investimento de uma mesma classe (com exceção de fundos multimercados e outros FICs). Em relação aos 5% restantes da porcentagem do seu patrimônio, o fundo pode investir em títulos privados ou públicos.


Fundo de Renda Fixa são os fundos que aplicam no mínimo 80% de seu patrimônio em renda fixa, sendo que este tipo se utiliza de derivativos como proteção. Além disso, existem algumas modalidades e divisões deste tipo de fundo, são elas:

· Renda Fixa Curto Prazo que o prazo de vencimento dos títulos deve ter no máximo 375 dias e o prazo médio da carteira deve ser inferior a 60 dias. Assim, pode-se dizer que é para um investidor conservador.

· Renda Fixa Longo Prazo que é parecido com o de cima, porém, tem risco de mercado maior e o prazo de vencimento dos títulos podem ter mais que 375 dias.

· Renda Fixa Referenciado são os fundos de renda fixa que acompanham uma variação de algum benchmark. Assim, este fundo deve necessariamente manter 95% em ativos investidos que acompanham este benchmark, sendo que no mínimo 80% do total deve ser representado por títulos públicos ou ativos de renda fixo de baixo risco.

· Renda Fixa Simples são os fundos mais simples e que não é necessário se atentar o processo de suitability (adequação do perfil do investidor aos produtos financeiros). Estes fundos são de baixíssimo risco e devem manter 95% do seu patrimônio em títulos públicos federais ou ativos de baixíssimos riscos. Por fim, devem ser fundos abertos.

· Renda Fixa Dívida Externa que aplicam no mínimo 80% em títulos que representam a dívida externa de responsabilidade de União.


FIA (Fundos de Ações) que aplicam no mínimo 67% do seu patrimônio na bolsa de valores; bônus ou recibos de subscrição.


Fundo Multimercado que tem vários fatores de risco, pois, combina investimentos em renda fixa, câmbio, ações, etc. Além disso, este tipo de fundo utiliza derivativos para alavancagem ou proteção.


Fundo Cambial que são os fundos que aplicam no mínimo 80% em ativos relacionados à variação de preços de uma moeda estrangeira, ou ao que se chama de cupom cambial (variação da taxa de juro na moeda estrangeira).


FII (Fundo de Investimento Imobiliário) que são os fundos que aplicam seu patrimônio no mercado imobiliário. Assim, ele adquire imóveis rurais ou urbanos que podem ser destinados para fins residenciais ou comerciais (tudo que tange a política de investimento dos FIIs está em seu regulamento). Além disso, quando este fundo adquire os imóveis, ele arranja formas de obter rendimentos com os imóveis, ou seja, locando, arrendando ou vendendo eles. Por fim, os FIIs são fundos fechados, portanto, como explicado, não é permitido resgatar cotas antes do período determinado, porém, é possível vender as cotas no mercado secundário (para outro investidor).


Tenho algumas dúvidas, o que fazer?

Por ser uma breve explicação é comum que possam surgir dúvidas, ou até mesmo a curiosidade de aprofundar-se mais nesse tema, assim, ficamos a disposição para ajudá-los.

Envie suas dúvidas no e-mail: ligalq.usp@gmail.com.

Vamos conversar!


-Thiago Storoli Lucas

15/05/2020

166 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Avenida Pádua Dias, 11, Piracicaba - SP

ligalq.usp@gmail.com

© 2020 Liga de Mercado Financeiro ESALQ-USP. Todos os direitos Reservados.

  • Design%20sem%20nome%20(7)_edited
  • Design%20sem%20nome%20(8)_edited