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Renda fixa e sua relação com a taxa SELIC

O que é renda fixa


Os títulos de renda fixa são alguns dos investimentos mais populares entre os brasileiros. Isso se deve ao fato que essa modalidade costuma ter um risco muito baixo, além de que, historicamente, o Brasil tem uma taxa básica de juros (taxa SELIC) alta, sendo mais um atrativo desses investimentos. Contudo, antes de falar mais sobre seus diferentes tipos e o porquê de recentemente ter se tornado menos atraente, será apresentado um panorama geral do que é a renda fixa.


De forma resumida, é o tipo de investimento no qual o investidor já sabe, desde o início da aplicação, qual será a rentabilidade final, por isso o nome renda fixa. Em alguns casos, é possível saber o valor numérico dessa rentabilidade, como no caso dos títulos pré-fixados, já em outros apenas se sabe qual será a base de cálculo (inflação, taxa SELIC, CDI). Ainda assim, esses valores de referência podem ser acompanhados de forma muito simples (como pelo Boletim Focus, do Banco Central), e costumam ser menos voláteis do que aqueles envolvidos na renda variável.


Além disso, a maioria dos títulos de renda fixa são garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em um valor de até R$ 250 mil por conta, tanto de CPF ou CNPJ, ou seja, se a instituição na qual o dinheiro foi alocado vier a falir, o investidor possui esse valor assegurado pelo Estado. Isso vale para a maioria dos títulos emitidos por instituições privadas, contudo, não vale para títulos do Tesouro Direto, o que se deve ao fato que esses títulos são emitidos pelo Estado, uma instituição que, se entrar em colapso, é porque todo o sistema financeiro já entrou antes.


Qual a relação dela com a taxa SELIC


Taxa SELIC é o nome que se dá a taxa básica de juros da economia brasileira, que serve de referência para todas as outras taxas cobradas por instituições financeiras ou oferecidas em investimentos no país. Seu nome advém do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, administrado pelo Banco Central do Brasil (BCB), e que é o sistema no qual são negociados os títulos públicos.


Como citado anteriormente, o Brasil sempre teve uma alta taxa básica de juros, sobretudo como forma de controlar a inflação. Isso ocorre porque existe uma correlação inversa entre a taxa básica de juros de uma economia e o aumento dos preços, pois quando a primeira está muito baixa, o crédito fica mais barato, o que tende a aquecer a economia, mas que pode acabar acelerando a inflação.


Desde janeiro de 2000, o valor médio da taxa SELIC ao ano foi de 12,34%, e o topo foi 28%, bem distantes do mínimo de 2% a.a. atingidos em 2020. Essa queda, sobretudo a partir de 2017, fez com que muitos títulos públicos, que tem justamente sua taxa de rendimento atrelada à taxa SELIC, perdessem atratividade. O gráfico abaixo mostra a evolução dessa taxa básica nos últimos 20 anos:


Esses valores mais recentes aproximaram as taxas do Brasil as de países desenvolvidos, como os da Zona do Euro (0,0% a.a.), Canadá (0,25% a.a.), Austrália e Israel (0,10% a.a.), entretanto, essas nações possuem economias mais estabilizadas, com menor risco de inflação. Desse modo, a taxa SELIC já refaz seu caminho de volta a patamares anteriores, com a Meta SELIC para esse ano, divulgada pelo BCB, estando em 5,5% a.a, e, em um panorama mais longo, em 6,5%, para o fim de 2024.


Sendo assim, a renda fixa volta a se apresentar como um investimento com retornos mais consideráveis, além de que mantém seu ponto de atratividade principal, o qual nunca perdeu: a segurança e o baixo risco garantidos pelo FGC e pelo Tesouro Nacional. Deste modo, após essa contextualização inicial, serão apresentadas a seguir, as principais formas de se investir em renda fixa.


Principais opções de investimento em renda fixa


Ao adentrar o mercado como um todo, existem diversas formas de investir em renda fixa, sendo ela de criação pública ou privada, e a partir disso, serão apresentadas escolhas frequentes dos investidores que buscam por um risco menor e uma rentabilidade mais estável para o seu capital, ainda que existam riscos em investimentos de renda fixa.


Um outro ponto a ser destacado, é o de que os investimentos em renda fixa têm uma forma muito similar de rentabilidade, sendo um ótimo negócio se feito da maneira correta e com atenção aos seus riscos.


1. Tesouro Direto


A primeira e mais conhecida dentre investidores novatos e experientes, é o Tesouro Direto, o qual funciona a partir de uma emissão feita pelo Tesouro Nacional para que o país pague suas dívidas, sendo parecido com um empréstimo feito pelo país, em que os compradores fazem o papel de quem empresta o capital.


Dentre as possíveis formas de tesouro direto, a que mais se destaca é o Tesouro IPCA+, tendo um rendimento mais elevado que as taxas de inflação de maneira geral, já que ele tem como base de rendimento mínimo a própria inflação, de forma que o capital não seja corroído com baixas taxas.


O investimento do Tesouro Direto é considerado de baixo risco, pois possui garantias feitas pelo Tesouro Nacional, e ainda que não tenha a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), é considerado o mais seguro do mercado.


2. Letras de Crédito


Existem duas Letras de Créditos bem famosas dentre os investidores de renda fixa, sendo elas a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), e apesar de serem lastreadas em setores diferentes, a aplicabilidade de ambas são parecidas.


Tanto a LCA quanto a LCI são títulos privados que podem ser emitidos por instituições financeiras e têm seus prazos e taxas definidos diretamente no momento da compra. Porém, como o nome já diz, a LCA é lastreada em operações de créditos relacionadas ao setor agrícola e a LCI é lastreada em operações de crédito relacionadas ao setor imobiliário. Ambas são consideradas investimentos de baixo risco devido ao fato de serem cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).


3. Certificado de Depósito Bancário


Os Certificados de Depósito Bancário (CDB) são títulos emitidos por instituições financeiras, que tem o intuito de remunerar o investidor por um prazo e rentabilidade que são fixados quando o investimento é realizado, sendo uma forma do investidor emprestar seu dinheiro para recebê-lo no futuro com as devidas correções. A rentabilidade pode ser pré-fixada ou pós-fixada e tende a aumentar com o tempo que o capital fica investido.


Os CDBs são de certa maneira uma forma de investimento seguro e de baixo risco, uma vez que são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) caso o emissor do título não consiga honrar sua dívida.


4. Certificado de Recebíveis


Assim como no caso das Letras de Crédito, os Certificados de Recebíveis possuem uma classificação de imobiliários e do agronegócio sendo chamados de CRI e os CRA, respectivamente. Ambos são títulos de crédito privados emitidos por securitizadoras, promovendo um direito de crédito ao investidor, de forma que o comprador dos certificados de recebíveis tenham direito a receber uma remuneração do emissor aplicando em um produto referente ao mercado imobiliário ou do agronegócio, de acordo com o que foi determinado na compra.


Quanto o que diz a segurança deste tipo de investimento, ao contrário de muitos planos de investimento de renda fixa, tanto a CRI quanto a CRA não possuem a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), fazendo com que o investidor tenha uma maior atenção, uma vez que o risco fica por conta da empresa emissora, que podem ser avaliadas por agências de riscos e receberem notas de qualidade.


Por se tratar de renda fixa, o seu funcionamento de rentabilidade é semelhante ao dos outros títulos apresentados, podendo ser feito de maneira pré-fixada ou pós-fixada. Porém, a CRI e a CRA são isentas da cobrança de imposto de renda para pessoas físicas, o que as torna muito atrativas.


5. Debêntures


Como última possibilidade de investimento a ser apresentada neste artigo, temos as debêntures, que são nada mais nada menos que títulos de dívida de uma companhia, e funcionam como uma forma de “empréstimo”, do investidor para a empresa, a fim de recebê-lo adicionado ao pagamento de juros em algum momento futuro. Eles são muito comuns, uma vez que as empresas utilizam deste método para arrecadarem capital necessário para novas operações ou para honrar compromissos financeiros de curto prazo.


No que tange a segurança, as debêntures se baseiam na capacidade da empresa escolhida pelo investidor de gerar capital necessário para honrar seus compromissos, visto que o pagamento será feito pela própria empresa ao final do tempo estipulado em relação ao pagamento do “empréstimo” feito, sendo necessária uma grande atenção do investidor ao escolher uma empresa para se aportar o seu dinheiro.


A rentabilidade pode ser pré-fixada ou pós-fixada e segue o que foi acordado na realização do investimento, de forma que investimentos de longo prazo terão uma rentabilidade geralmente mais alta do que os de curto prazo.


Atingindo os Objetivos


Chegado este momento, o objetivo presente neste estudo se conclui, na medida que foi explicado o que é a renda fixa e como ela se comporta perante variações da taxa SELIC, um ponto muito falado no cenário econômico brasileiro atual.


Junto a isso, foram apresentadas algumas possibilidades populares de investimentos que são realizadas, ainda que seja necessária uma análise mais minuciosa para o investimento em si, dado que o objetivo era a apresentação e não a recomendação de investimento propriamente dita, tendo como principal fator demonstrar que renda fixa não é necessariamente, um investimento sem risco e que não deve ser esquecido nas diversificações de carteira.



Tenho algumas dúvidas, o que fazer?


Por ser uma breve explicação é comum que possam surgir dúvidas, ou até mesmo a curiosidade de aprofundar-se mais nesse tema, assim, ficamos a disposição para ajudá-los.


Envie suas dúvidas no e-mail: ligalq.usp@gmail.com.


Vamos conversar!


André Tivelli Albertini e Mário Leonardo Cavicchiolli


25/05/2021



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