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Retrospectiva do Ibovespa em 2021

Principais acontecimentos macroeconômicos de 2021


O primeiro semestre de 2021 foi marcado por otimismo por parte dos investidores em relação à bolsa de valores brasileira, pois a B3 alcançou pontuações históricas no mercado com a taxa de juros mais baixa da história brasileira, com a expectativa de que a pandemia estivesse ao fim com a chegada de vacinas e diminuição dos casos nos países internacionais.


Ao longo dos meses, assim que iniciou a segunda onda da Covid-19 e os temores de um novo lockdown no país, a economia brasileira foi marcada pelo aumento sucessivo da inflação e o Banco Central foi obrigado a aumentar a taxa de juros, voltando aos patamares anteriores da história econômica nacional. A taxa de juros é fundamental para os investidores, pois conforme mais baixa a taxa, o investidor tenderá a buscar por investimentos mais arrojados, ou seja, mais arriscados, pois provavelmente obterá um retorno melhor. Por isso, a renda variável se destacou bastante nesse cenário.



O avanço da vacinação e, consequentemente, a reabertura do mercado e dos países, em geral, favoreceu a economia brasileira, mas não por muito tempo. Os ruídos políticos sobre a situação fiscal do país aterrorizaram os investidores, somando com a alta da inflação e a descoberta de novas cepas do coronavírus que acabaram desestabilizando a bolsa de valores.

Imagem 1 - Histórico do Ibovespa

Fonte: Google


10 maiores altas e 10 maiores baixas do ano


Ao lado, temos uma tabela com as 10 maiores altas e, consequentemente, as 10 maiores baixas do ano em 2021. Começando pelas maiores rentabilidades, temos em 1° lugar a Braskem, uma petroquímica com atuação global, que teve uma valorização no ano de 164,59%, onde o aumento no preço dos combustíveis foi um fator que impulsionou não apenas as ações da empresa, mas também PetroRio (PRIO3) e a famosa Petrobrás (PETR3 e PETR4). Não foi apenas o preço do Petróleo que subiu, mas também o preço do aço e da carne, que ocasionaram em uma maior rentabilidade da Gerdau (GGBR4) e da JBS (JBSS3) com a Marfrig (MRFG3), respectivamente. Sobre a Méliuz (CASH3), uma empresa de cashbacks que fez seu IPO no final de 2020 e chegou a ter uma alta de quase 400% no ano, voltou fortemente em um curto período e assim, acumula uma valorização de 28,47%.


Em relação às maiores baixas, o setor do varejo é predominante. Magalu (MGLU3), Via Varejo (VIIA3), Americanas (AMER3 e LAME4), ficam no topo da lista com as maiores desvalorizações no ano, por conta da crise enfrentada pelo país e também por ser um setor que possui margens baixas e é muito influenciado pelo poder de compra das pessoas. Outro destaque negativo foi a IRB Brasil (IRBR3), a maior resseguradora do Brasil que acumulou prejuízos e escândalos de governança. Vale ressaltar que todas essas análises não têm caráter de recomendações e foram feitas baseadas no período até o fechamento do dia 17 de Dezembro de 2021.


IPO de 2021


Em relação aos IPO’s que aconteceram durante o ano de 2021, a maioria deles apresentaram uma performance negativa. Isso também foi influenciado pelo desempenho negativo do próprio índice Ibovespa. Recapitulando, IPO é quando uma empresa abre capital em bolsa e, assim, suas ações começam a ser negociadas nos mercados de capitais.


Na parte dos resultados, podemos destacar que a melhor rentabilidade foi da VAMO3, uma empresa voltada para a locação de caminhões e outros maquinários, com uma alta desde o IPO de 70,57%. Na ponta contrária, o destaque negativo foi a MBLY3, uma loja de móveis e artigos de decorações, que teve uma desvalorização em seus papéis de 79,77%. Por fim, para finalizar essa parte, vamos destacar o IPO da Raízen, uma empresa sediada em nossa região de Piracicaba e que possui um valor de mercado na faixa dos R$ 64 bilhões de reais. Na rentabilidade de suas ações, a empresa teve uma desvalorização de 14,13% em seus papéis desde o seu recente IPO no 2° semestre.


Aumento no número de investidores


Comparando o 3° trimestre de 2020 até o 3° trimestre de 2021, tivemos 800 mil novos CPFs cadastrados na B3, um aumento maior que 30% em um período de 12 meses. Isso mostra que a população brasileira está procurando por novos investimentos e ao mesmo tempo, diversificando seus investimentos. No entanto, com o processo do aumento das taxas de juros para conter o efeito da inflação no Brasil, podemos ver um crescimento menor no número de investidores no próximo período. Isso também é influenciado pelo costume do povo brasileiro em investir em poupança e renda fixa.


Mesmo com o aumento das taxas de juros, não podemos desconsiderar o IPO do Nubank nos Estados Unidos. A pergunta que fica é: o que esse acontecimento tem a ver com o aumento de investidores na B3?


Simples, o Nubank fez sua IPO na bolsa norte-americana, mas não apenas emitiu seus BDRs no Brasil, como também distribuiu aos seus usuários por meio do programa Nu Sócios. Assim, milhões de clientes foram convidados a ser sócios do banco e 7,5 m


ilhões aceitaram o seu BDR como forma de premiação. Esse número de pessoas é o dobro dos investidores atualmente na B3, podendo trazer grandes novidades nos resultados do 4° trimestre de 2021 que ainda serão divulgados.


Prévias para 2022


Por fim, uma ótima maneira de encerrarmos esse artigo é trazendo prévias que poderão influenciar ou não o índice Ibovespa em 2022. Começando pela inflação do IPCA que foi subindo ao longo de 2021 e chegou nos 9,26% no acumulado do ano. A expectativa é que com o aumento das taxas de juros, seja possível controlar essa alta nos preços e consequente diminuir os efeitos ocasionado por ela na população, principalmente nas que possuem baixa renda e são as mais influenciadas por esse efeito. Outro ponto é que 2022 tem eleições nacionais e esperamos uma disputa bem conturbada entre os candidatos, onde os ruídos podem interferir consideravelmente na volatilidade da bolsa devido às diferentes propostas de cada candidato.


Na análise do Bradesco BBI, divulgada no último dia 16 de Dezembro, o banco vê o Ibovespa a 130 mil pontos em 2022, baseando-se em uma convicção cada vez maior de um ajuste fiscal profundo após o período eleitoral, um maior apetite global ao risco e crescimento dos lucros das empresas ainda em 2021, mesmo com o alto risco do nosso país.


É isso, a Liga do Mercado Financeiro Esalq-USP deseja a todos leitores que chegaram até aqui, boas festas e um bom final de ano.


Tenho algumas dúvidas, o que fazer?


Por ser uma breve explicação é comum que possam surgir dúvidas, ou até mesmo a curiosidade de aprofundar-se mais nesse tema, assim, ficamos a disposição para ajudá-los.


Envie suas dúvidas no e-mail: ligalq@usp.br


Vamos conversar!


João Victor Scavasso e Laura de Oliveira Jeremias


28/12/2021



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