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Riscos: Noções e Medidas

Quanto você cobraria para emprestar uma grana pra um amigo? Além do custo de oportunidade, deve-se considerar a possibilidade de não receber esse dinheiro de volta. Em uma análise de investimento, é comum que tenda a se dar maior enfoque aos retornos, porém é preciso analisar também os riscos implícitos ao ativo a ser investido. E o que é risco? A definição simplificada seria o grau de incerteza na esperança de retorno de um ativo. Os riscos podem ser classificados em dois grandes grupos: sistêmicos e diversificáveis.


Risco sistêmico

Risco sistêmico, ou sistemático, é o risco inerente ao sistema econômico como um todo, ou seja, afeta os mercados de uma forma geral. Um exemplo de tal risco seria a atual situação que estamos vivendo, a pandemia do novo coronavírus, que obrigou os trabalhadores a ficarem em casa, cessando boa parte das atividades econômicas. Certamente cada ativo será afetado de forma diferente, alguns mais outros menos, alguns diretamente outros indiretamente, mas é certo que o impacto será extensivo.

A partir disto, é possível calcular o risco sistêmico de um ativo a partir de um índice bem famoso, chamado Beta (β). Este índice reflete o retorno de um ativo em função de uma variação do mercado, isto é, a sua sensibilidade para com a flutuação do mercado.

β < 1 : Ativo defensivo

β = 1 : Ativo neutro

β > 1 : Ativo agressivo

Porém é importante entender se de fato há uma correlação do ativo com o mercado, pois pode acontecer de, apesar de ter um β factível, este não explique de fato a flutuação do ativo. O valor deste índice pode se modificar em determinados períodos, cabe-se, portanto, escolher um razoável.

Risco diversificável

Risco diversificável, ou não-sistêmico, como o nome diz, afeta somente ativos específicos, a partir de fatores ocorridos intrínsecos aos mesmos. A maneira mais objetiva de mitigar tal risco seria a diversificação da carteira de ativos, não estando excessivamente exposto a possíveis perdas de apenas um único. São várias as categorias de riscos diversificáveis, das quais destacaremos quatro delas: risco de crédito, de liquidez, operacional e de mercado.

Figura 1: Exemplo de diminuição do risco total a partir da diversificação da carteira


Risco de crédito

É o risco de perda devido a incapacidade de pagamento da dívida pela outra parte, portanto, um “calote”. Um exemplo disto seria a compra de uma debênture que, após o seu vencimento, não ressarça o investidor.

Como medidas de evitar este tipo de risco temos as agências de rating, que avaliam e dão uma nota para a probabilidade de pagamento de uma dívida de uma empresa ou países, por exemplo. As agências mais famosas são a Standard & Poors, Fitch e Moody’s. Outro segurança, no caso do Brasil, seria o FGC – Fundo Garantidor de Crédito – que cobre até uma certa quantia em caso da falência de uma instituição financeira. CDB’s e Letras de Crédito são alguns dos investimentos que possuem esta proteção.

Risco de liquidez

Reflete a incapacidade de se desfazer rapidamente de um ativo, convertendo-o em dinheiro, sem a perda de seu valor justo. Podemos citar como exemplos a liquidez de um investimento de renda fixa antes de seu vencimento, que pode vir com perdas financeiras, e ações com baixo volume de negociação, que podem dificultar a venda ao preço desejado.

Para grandes fundos de investimento, neste último caso, uma medida interessante seria o “número de dias para liquidar”, uma conta que consiste no valor total aportado no ativo dividido pelo volume médio diário de negociação. O ideal seria que a maior parte dos ativos da carteira deste fundo obtivesse um resultado menor que o prazo de resgate dos investidores.

Risco operacional

É um risco menos comum que envolve fraudes ou falhas, humanas ou processuais. São riscos isolados e, em geral, contornáveis, mas que geram prejuízos. Como por exemplo, no caso de um fundo de investimento, uma ordem errada ou sistema fora do ar.

Uma medida de segurança neste caso é, sé possível, conhecer e entender os processos da empresa a ser investida, se as pessoas estão bem treinadas, se possui planos de contingência e até quem é o COO (Chief Operating Officer).

Risco de mercado

O risco de mercado refere-se à volatilidade de um ativo. Vários acontecimentos originam-se em um período, que podem alterar o seu preço, porém não necessariamente seu valor, causando sua flutuação. Pode-se ver na figura 2 a volatilidade de três ativos de retornos semelhantes em determinado período de tempo, com grande destaque ao Ativo A, muito volátil.


Figura 2: Retornos diários de ativos com retornos semelhantes. Fonte: Proseek


A medida de volatilidade de mercado mais comum é o desvio padrão histórico. É um cálculo estatístico simples que determina uma faixa de tendência de variação de um ativo, geralmente em base anual. Outros métodos de cálculo da volatidade também são os modelos EWMA e GARCH.

Ainda em medidas de risco, temos o VaR – Value at Risk – que representa a perda máxima potencial de um ativo, em determinado período de tempo, a partir de um determinado grau de confiança. Como exemplo: VaR90% 5 dias = -8% representa que, tem-se 90% de confiança que a perda máxima em 5 dias será de -8%. Pode ser calculado por duas vertentes, pelo histórico e pela distribuição paramétrica. No primeiro faz-se uma distribuição dos retornos do ativo em determinado período de tempo, e então encontra-se o valor contido na faixa de confiança requerida. Na distribuição paramétrica constrói-se uma distribuição normal ou t-student e, a partir de seus parâmetros, encontra-se o valor.

Outros exemplos de medidas de risco: Máximo Drawdown (MDD), que reflete a perda máxima em determinado período de tempo, e o Stress Test, que testa o ativo ou a carteira nos mais diversos cenários. Lembrando da máxima que, retornos passados não garantem retornos futuros, portanto, os valores encontrados por todas essas medidas certamente não refletirão a realidade, mas deverão retratar uma tendência.


Tenho algumas dúvidas, o que fazer?

Por ser uma breve explicação é comum que possam surgir dúvidas, ou até mesmo a curiosidade de aprofundar-se mais nesse tema, assim, ficamos a disposição para ajudá-los.

Envie suas dúvidas no e-mail: ligalq.usp@gmail.com.


Vamos conversar!


-André Almeida Oliveira

01/05/2020

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