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Small Caps: Investimento a longo prazo ou risco desnecessário?

O que são Small Caps?

Para os que menos conhecem sobre bolsa de valores, quando se toca no assunto, logo pensam em empresas grandes, como por exemplo: Vale, Petrobras, Itaú, dentre tantas outras que são dominantes no âmbito do mercado financeiro. Entretanto, existem várias outras empresas que são bem menos conhecidas e que podem trazer retornos bem maiores do que as grandes empresas tradicionais. Estes empreendimentos menores são conhecidos no mercado financeiro como Small Caps.

Mas quais são as características de uma empresa denominada Small Cap? O principal parâmetro para uma empresa se classificar dessa forma é o seu valor de mercado, o qual se restringe à faixa de U$300 milhões até U$2 bilhões, o que condiz com o nome, baixa capitalização, sendo vistas como ações de segunda ou terceira linha.

Ademais, diferentemente das Big Caps, ou ações que predominam no mercado, como Vale, Petrobras, Itaú, dentre outras, o volume de negociações das ações de Small Caps é menor, e, consequentemente, a liquidez dessas empresas é menor se comparada com o volume de negociações das companhias maiores.

Apesar de possuírem estas características, muitas Small Caps são líderes do seu segmento, principalmente alguns segmentos dentro do Brasil, os quais não são muito desenvolvidos, como por exemplo o setor de tecnologia, o qual conta com poucas empresas.

Aqui estão alguns exemplos de Small Caps da B3 (Bovespa): Movida (MOVI3), uma das maiores empresas do setor de aluguel de carros; Gerdau (GOAU4); Duratex (DTEX3); Via Varejo (VVAR3), a qual contempla empresas como Casas Bahia e Pontofrio, grandes empresas do setor varejista.


Por que investir em Small Caps?

Como dito anteriormente, essas empresas possuem baixa capitalização e geralmente são mais jovens, o que representa um grande potencial de valorização ao longo do tempo. Para visualizar o porquê desse potencial, imagine uma empresa muito grande e atuante em um mercado sólido, um setor que já atingiu um estágio muito consolidado. O que se espera referente ao crescimento dela no futuro? Mesmo no caso de uma boa empresa, lucrativa e eficiente, pode-se esperar que ela não tenha muito a crescer, por já ser grande e estar consolidada em seu ramo, com um crescimento proporcionalmente lento. Já uma Small Cap, por ser menor e estar geralmente explorando um ramo menos consolidado, pode multiplicar seu tamanho em um espaço de tempo consideravelmente inferior. Assim, o investidor que buscar a empresa certa está sujeito a ganhar muito com o desenvolvimento dela.

Um exemplo de sucesso no crescimento pode ser observado com a Magazine Luiza (MGLU3), que surpreende na valorização de seus papéis. A corporação começou como uma Small Cap, negociando suas ações em cerca de R$ 7, e atualmente está cotada em torno de R$ 88.

Uma outra vantagem que o investidor pode levar em conta são os benefícios que a marca pode obter. Seu potencial é observado pelas grandes companhias, que eventualmente podem manifestar interesses na aquisição desses negócios. Para um investidor que detenha ações da pequena corporação isso pode ser muito interessante, visto que anúncios de interesses de compra podem elevar o preço das ações relativamente rápido, proporcionando um ganho ao investidor que possua suas cotas.

Quais são os riscos de se investir em Small Caps?

Apesar de estas empresas poderem representar grandes retornos, investir nestes tipos de ativos podem ser uma aventura e tanto. Se você não for um investidor arrojado, que não aguenta desaforo e que não está preparado para um retorno a longo prazo, é melhor que não experimente este tipo de ativo.

Apesar do alto potencial de retorno, essas empresas não possuem dados sólidos e consolidados sobre seu crescimento, ou seja, sabe-se pouco sobre como a empresa consegue (ou não) gerar riqueza e de que maneira ela gerencia sua dívida e todos os seus instrumentos financeiros. Dessa forma, o retorno esperado pode não ocorrer se transformar em um prejuízo muito grande.

Por serem empresas menores, elas têm um menor volume de negociação (como já foi citado), ou seja, pode ser que você não consiga vender ou comprar ações quando bem entender ou quando quiser se desfazer de certo ativo, visto que os ofertantes são escassos, fator que faz com que você tenha que segurar este ativo até que ele se torne desejado por um maior número de investidores.

Como foi dito acima, como estas empresas são novas e de um menor porte, elas podem não fornecer dados altamente confiáveis, além de serem escassos, ou seja, existe a possibilidade de as informações serem incompletas. Dessa forma, muitos analistas e casas de análise podem ter dificuldades ao realizarem uma análise fundamentalista da empresa, precificando-a e propondo as decisões de compra ou não.

Ademais, é importante ressaltar que as empresas as quais se encaixam na classificação de Small Caps podem estar inseridas em setores que não preveem um potencial de crescimento. Dessa forma, essas ações podem representar um alto risco para os investidores os quais acreditam nesse crescimento exponencial.


Como a crise do novo coronavírus afeta essas empresas?

Não é uma novidade pra ninguém que essa pandemia tem afetado pessoas, empresas (inclusive as menores) de uma maneira geral, gerando desemprego e uma recessão a qual jamais foi vista na história mundial.

Como as Small Caps têm negócios, a princípio, menos consolidados do que o das grandes empresas, são elas as que mais sofrem em momentos de crise justamente porque não têm uma operação muito forte ou sofrem com a falta de liquidez, característica de pequenos negócios. Para exemplificar isso, até o dia 15 de maio, o Ibovespa acumulou uma queda de 32,9% enquanto que o índice de Small Caps (SMLL) caiu 41,32% até a mesma data, provando a volatilidade destas empresas menores. Entretanto, é válido ressaltar que, desde o dia 3 de abril de 2020, ambos os índices vêm de recuperando, porém o índice de Small Caps (SMLL) subiu cerca de 55%, enquanto o Ibovespa teve uma alta em torno de 44%, o que mostra como o valor menor das empresas faz com que elas tenham crescimento razoavelmente mais acelerados.

Além disso, devemos lembrar que, como dito, muitas dessas pequenas empresas operam de maneira inovadora, em segmentos menores, o que faz com que algumas dessas se encaixem no que se tem chamado de “novo normal”, fazendo grande uso da tecnologia e da internet. Empresas como a já citada Magazine Luiza (MGLU3), que fizeram bom uso do e-commerce, obtiveram bons resultados mesmo em meio a pandemia, o que fez com que se valorizassem muito nesse período.

Cabe também destacar que, em períodos normais ou sem grandes crises, estas empresas tendem a “performar” melhor do que as empresas bem consolidadas. No ano de 2019, o Ibovespa, índice da B3 formado pelas 70 maiores companhias da bolsa, subiu 31,6%. Já o índice que reúne as Small Caps (SMLL) saltou quase o dobro disso, 58,2%, confirmando o alto potencial de crescimento que essa empresas têm.

Avançando para um prazo maior de tempo, de acordo com Werner Roger, da Trígono Capital, desde 2008 até aqui, o Small Caps acumula uma alta de 87%, contra 19% do Ibovespa. Além disso, segundo a própria Trígono, depois da crise de 2008 e a bolsa cair consideravelmente, o SMLL levou 381 pregões para retomar o que havia perdido, enquanto o Ibovespa levou 614 pregões para conseguir retornar ao valor pré-crise.


Conclusões e dicas!

Devemos lembrar que a maioria das grandes empresas das bolsas de valores no mundo inteiro já foram Small Caps, que com boa administração e exploração de seu ramo, cresceram e se consolidaram como as gigantes que são hoje.

Existem muitas Small Caps que já são líderes em seus respectivos setores, e que contém um bom potencial para crescer. Entretanto, os setores são novos e o mercado em que estão alocadas ainda não é tão grande, o que proporciona uma série de obstáculos a serem superados, mas promove também uma oportunidade de conquistarem espaço. Surge então um grande ponto a ser avaliado pelo investidor, analisar o setor da corporação, se este tende a crescer, se a empresa é inovadora e se possui barreiras.

Ao observarmos essas informações, podemos concluir que investir em uma Small Cap depende bastante do perfil do investidor. De modo que, caso esteja disposto a obter ativos que tenham menor liquidez, alto risco, mas com boa possibilidade de rentabilidade no longo prazo, você provavelmente se encaixa nesse perfil e pode encontrar nessas empresas ótimas oportunidades. Além disso, é importante salientar que há uma grande dificuldade em analisar essas empresas, algo que é crucial para efetuar um investimento com responsabilidade, pois como dito, no longo prazo, a mesma pode não crescer ou entrar em falência. Caso tenha um perfil mais agressivo e intenção de obter uma maior diversificação da sua carteira, é importante pesquisar mais a fundo a respeito das Small Caps para investir pensando no futuro com inteligência. Além disso, fica nossa recomendação do nosso outro artigo falando a respeito de crowdfunding.


Tenho algumas dúvidas, o que fazer?

Por ser uma breve explicação é comum que possam surgir dúvidas, ou até mesmo a curiosidade de aprofundar-se mais nesse tema, assim, ficamos a disposição para ajudá-los.

Envie suas dúvidas no e-mail: ligalq.usp@gmail.com.

Vamos conversar!



- Bruno Carrenho e João Pedro Varalta

28/08/2020

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