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Tapering: entenda o que é quando acontece

O que é o Tapering?


Tapering, ou “estreitamento gradual”, em uma tradução livre, se refere ao movimento dos Bancos Centrais, mais especificamente o Federal Reserve ou FED (Banco Central americano), em retirar, gradualmente, o programa de compra de ativos em andamento, ou seja, o tapering só pode ser iniciado caso já esteja ocorrendo um programa desse tipo. Dessa forma, o tapering é a medida contrária ao que chamam de afrouxamento monetário ou quantitative easing (QE), na sigla em inglês.


Em períodos de recessão, como aconteceu em 2008 ou como está acontecendo agora, os Bancos Centrais injetam dinheiro na economia (através do QE) através da compra de ativos, principalmente para estimular a economia em um período de recessão e fazer com que esta seja amenizada. Em 2020, estima-se que o FED comprou mais de U$3 trilhões em ativos, e em 2021, o Banco Central americano instaurou uma compra de U$120 bilhões mensalmente (U$80 bilhões em ativos e os outros U$40 bilhões em hipotecas), aumentando a quantidade de ativos em seu balanço e a quantidade de liquidez no sistema.


E a pergunta que ultimamente os investidores têm feito é a seguinte: quando o tapering será colocado em prática? Normalmente, as medidas de afrouxamento monetário são postas em prática quando a economia dá sinais de recuperação e ainda, neste caso, quando a pandemia vai arrefecer e permitir que a recuperação seja feita da melhor forma possível. Então, são avaliados, pelos membros do FED, diversos números da economia, como desemprego, nível de atividade econômica, nível de produção industrial, dentre outros.


No dia 27 de agosto de 2021, ocorreu o Simpósio Anual de Jackson Hole (evento anual organizado pelo Federal Reserve) e o presidente do FED, Jerome Powell, disse que o tapering poderia começar ainda no final deste ano, uma vez que a recuperação da economia estava muito forte. Entretanto, no dia 3 de setembro, os números do emprego da economia americana vieram abaixo do esperado (o relatório de agosto mostrou que ainda faltam 5 milhões de empregos a serem criados na economia americana para que se atinja o nível pré-pandemia) e desapontaram os investidores, fator que pode corroborar com a prorrogação das medidas de afrouxamento monetário e, consequentemente, com o adiamento do início do tapering. No entanto, vários players do mercado acreditam que esta medida deve ter início no começo de 2022, com a retirada completa no segundo semestre.


Como o tapering impacta a economia e os mercados?


As políticas de afrouxamento monetário introduzidas após a crise financeira de 2008 tiveram um grande impacto no preço das ações e dos títulos nos mercados financeiros dos Estados Unidos. Em 2013, quando o tapering foi colocado em prática, a medida foi desastrosa, principalmente para os países emergentes, já que houve uma desvalorização cambial forte das moedas emergentes, gerando inflação e juros altos para quase todos os países fora do círculo do G20.


Atualmente, existe uma liquidez enorme no mercado internacional justamente porque os Bancos Centrais das maiores economias do mundo proporcionaram essa liquidez adicional através da injeção de estímulos, os quais, por sua vez, impulsionaram a renda variável no mundo todo, sobretudo, nos mercados americanos.




Pelo primeiro gráfico, podemos ver que o mundo como um todo e principalmente os mercados desenvolvidos (MSCI World e MSCI ACWI) e pelo segundo gráfico, que mostra o desempenho do S&P500 e do Dow Jones (principais índices americanos), podemos perceber que todos os mercados financeiros se beneficiaram com a liquidez extra providenciada, majoritariamente, pelo FED e por outros Bancos Centrais. Um outro exemplo de como isso impacta o mercado é o que aconteceu no dia 3 de setembro, dia do relatório de emprego americano: mesmo com os dados ruins da economia, o S&P500 subiu naquele dia, então, independente da qualidade dos números, o que importa para os mercados é a interpretação do FED sobre esses dados e, se os dados são ruins (como aconteceu), isso quer dizer que o Federal Reserve vai manter os estímulos por mais tempo e vai continuar injetando liquidez na economia, fato que é muito bom para os mercados financeiros.


Com a instauração do tapering, muitos analistas afirmam que após o final desse processo haverá um aumento nas taxas de juros americanas (estimativa para 2023) e, se somarmos o fato de que haverá uma menor liquidez disponível, os mercados sentirão as consequências, principalmente os emergentes, os quais são de maior risco e consequentemente, os recursos migrarão para países com fundamentos econômicos melhores. Além disso, com o aumento da taxa de juros, um provável acontecimento é de que a renda variável se torne menos atrativa, uma vez que um aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro Americano atrai muitos investidores, principalmente os institucionais.


Entretanto, é difícil dizer com certeza o que ocorrerá e, dessa forma, os investidores devem ficar atentos aos movimentos do FED e de outras economias desenvolvidas.


Exemplos de tapering


Crises, de maneira geral, geram uma necessidade de auxílio do governo à economia injetando recursos, como a Federal Reserve (Fed) fez nos Estados Unidos durante a crise de 2008 ou durante a pandemia do Covid-19. Considerando a situação atual, o FED comprou em média US$120 bilhões por mês de títulos públicos como tentativa de amenizar uma possível depressão econômica.


Porém, tudo que é bom dura pouco. Com a retomada das atividades econômicas e da maior estabilidade da economia, o FED tende a realizar o tapering, que é basicamente, neste caso, uma forma de tentar voltar ao normal, em que a economia não precisa mais de auxílio, pois a crise passou, dado que as estimativas de crescimento do PIB dos Estados Unidos para 2021 atingem os 7%, número muito bom considerando os anos recentes.


Ainda que seja benéfico para a economia, o auxílio tem seus efeitos colaterais após o tapering, que geralmente resultam em inflação e desaceleração do mercado, uma vez que grandes valores foram injetados e o mercado havia se acostumado com isso, gerando uma instabilidade momentânea, que historicamente não é um problema, e sim um simples efeito colateral.


Um outro fator é que o tapering não é um processo tão comum, por isso é difícil achar mais exemplos. As situações que levam um governo a dar grandes auxílios à economia são muito restritas e de certa forma até raras, fazendo com que a crise de 2008 e a pandemia sejam as mais recentes e famosas nos dias atuais.


Tenho algumas dúvidas, o que fazer?


Por ser uma breve explicação é comum que possam surgir dúvidas, ou até mesmo a curiosidade de aprofundar-se mais nesse tema, assim, ficamos a disposição para ajudá-los.


Envie suas dúvidas no e-mail: ligalq@usp.br


Vamos conversar!


André Tivelli e João Pedro Varalta


16/09/2021





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